Transcodificação é para robôs

Transcoder e Proxies no MktTV MediaSpace

Agora que você já está craque nos conceitos da gestão de acervos (aqui e aqui), posso pegar mais pesado. Vamos falar de transcoders de alta performance. De acordo com o que falei nos conceitos, um bom sistema DAM arquiva os ativos em qualidade de produção e, a partir dela, produz todos os demais formatos sob demanda, o que chamamos de proxy. Cada finalidade de um conteúdo (ir ao ar na TV, produção de legendas e closed caption, publicação no YouTube) tem o seu proxy produzido quando ele é necessário. Isso evita o desperdício dos recursos de armazenamento e processamento, já que nem sempre um ativo será utilizado em todas as finalidades que o conteúdo possa ter.

No MktTV MediaSpace, pelo menos um proxy é produzido na hora em que ocorre o ingest, ou ingest time. Trata-se do proxy de visualização. Você deve se lembrar lá dos conceitos, quando falo que os ativos na área de armazenamento nearline são apagados de acordo com algumas regras estabelecidas pelas políticas de retenção e guardados eternamente na área almost-nearline. Pois bem, quando os usuários estão pesquisando no acervo, eles usam os metadados para encontrar o ativo e o proxy de visualização para ter uma referência audiovisual do ativo original. Usar o ativo original seria um desperdício de recursos de transporte de informação, pois nesse momento o usuário quer apenas saber se o ativo “serve” para o ele precisa, mas ainda não decidiu usá-lo para alguma coisa.

Há muitas outras finalidades para o proxy de visualização: a decupagem (a atividade de descrever com palavras o que existe dentro de um vídeo) e a legendagem são algumas delas. Para todas essas atividades, o arquivo original do ativo simplesmente não é necessário. Pense: um usuário pode estar trabalhando no meio da floresta amazônica (isso é um caso real para nós) e com uma conexão à internet bastante limitada. Seria impossível enviar um arquivo gigante para essa pessoa. O que fazemos é enviar uma representação bem pequenininha para que este usuário possa trabalhar com mais velocidade no meio da floresta ou em qualquer outro lugar com acesso à internet.

Todo esse processo de geração de proxies é função do DAM, mas não é feita diretamente por ele. Entra em cena o transcoder, um serviço que faz parte da infraestrutura do DAM mas que normalmente roda em máquinas diferentes e, ao menos no caso do MktTV MediaSpace, é transparente para as pessoas que utilizam o sistema.

Um Tarefa Complexa

A transcodificação pode ser facilmente encarada como uma disciplina à parte no mundo do DAM. Existe todo um universo de assuntos tratados nessa disciplina que podem torná-la muito distante de uma coisa prática. Além disso, ela normalmente é muito intrusiva no cotidiano de quem produz conteúdo. Formatos e codecs são apenas a ponta do iceberg nesse universo.

Eu me deparo com bastante frequência nas diversas empresas que visitamos com a seguinte situação: existem os ativos no formato de produção com pouco ou nenhum gerenciamento e existem as finalidades de consumo para esses ativos. O caminho de um lado para o outro é 100% manual. Na verdade e por mais incrível que isso possa parecer, isso acontece hoje mesmo em algumas das grandes redes de televisão brasileiras!

Quando é preciso enviar um ativo para o YouTube por exemplo, um operador sai correndo para gravar um DVD que por sua vez vai para uma ilha de edição comum onde o arquivo é aberto. O operador então abre um software de conversão de vídeos (existe um montão deles por aí, pagos, gratuitos e como serviço) carrega o arquivo original, configura manualmente os formatos e inicia o processo de conversão. Depois de alguns minutos ou horas, dependendo da duração do arquivo original, ele tem um arquivo convertido que é então enviado para o seu destino final, mas não sem antes ter os seus metadados copiados e colados manualmente. Ou seja, um processo 100% manual.

Além da ineficácia inerente aos processos manuais repetitivos, o operador precisa conhecer pelo menos um pouco da parte técnica sobre configuração de codecs de áudio e vídeo, ou poderá produzir arquivos de péssima qualidade final. Uma outra desvantagem desse processo é que antes de chegar no formato final e bom para o YouTube, o vídeo original passou por pelo menos uma conversão intermediária para ser gravado no DVD. Cada uma dessas “gerações” causa perdas irrecuperáveis que são visíveis no produto final. Ou seja, lambança do começo ao fim.

Mas e aí? O que fazer?

Bom, essa é mais uma vantagem de um DAM de ponta como MktTV MediaSpace. Nele, os usuários precisam saber apenas para onde o ativo vai, onde ele será transformado em conteúdo. O usuário diz para o sistema: “Quero esse vídeo no YouTube”. É tudo que o MktTV MediaSpace precisa saber. O resto da conversa é entre computadores.

O MktTV MediaSpace vai entender essa ordem do usuário e enviar o arquivo original (veja bem, sem gerações intermediárias) para o transcoder. O transcoder vai receber uma ordem do MktTV MediaSpace para “gerar esse arquivo no formato esperado pelo YouTube”. Como o transcoder já foi configurado para gerar arquivos para o YouTube sempre de um determinado modo, ele simplesmente começa a trabalhar e devolve o resultado para o MktTV MediaSpace, que então fala com o YouTube e envia, junto com o arquivo final, metadados como título, descrição, palavras-chave ou qualquer outro que for determinado. Usuário feliz e consumidores idem.

É claro que num cliente típico do MktTV MediaSpace, a operação acima ocorre dezenas, não raro centenas de vezes ao dia. No momento em que escrevo esse artigo, um cliente nosso realiza, na média dos últimos 30 dias, 348 operações de ingest ou de publish por dia (por dia, meu caro! Não é por mês, não é por semana. É por dia!). Mas aí os rabugentos podem dizer: “Grandes coisas! Em maio de 2009 o YouTube já convertia 216.000 vídeo por dia“.  Mas o YouTube não faz isso com formatos de produção e com taxas de dados altíssimas (>25Mbps). Sem contar que eles usam “zilhões” de servidores para essa tarefa.

É impossível implementar um volume de operações desse em um fluxo manual como o que eu citei acima. Aí entram os transcoders de alto desempenho.

FlipFactory: Formatos Abrangentes e Alto Volume de Processamento

Visão geral do FlipFactory (clique para ampliar, ©Telestream)

O MktTV MediaSpace está perfeitamente integrado ao FlipFactory, da Telestream. O FlipFactory é um transcoder profissional e de alto desempenho. Ele possui algumas características bastante interessantes:

  • Suporte a mais de 120 formatos (inclusive os profissionais, de broadcast).
  • Integração direta com os principais sistemas DAM e de automação.
  • Configurações de factories (fábricas de transcodificação) apenas uma vez para a operação automática.
  • Usado em milhares de aplicações críticas para o negócio.
  • Suporta operações de transcodificação e fluxos de ativos.
  • Equipe de suporte mundial e que responde rapidamente.
  • Preços começam em US$ 5.495,00 (FOB).
  • Revendedor no Brasil (a Videodata, nossa parceira).
  • E claro, a MktTV, que é a única empresa no Brasil especialista na instalação e configuração das funções mais avançadas do FlipFactory (balanceamento de carga e FactoryArray).

O FlipFactory possui benefícios evidentes no que diz respeito aos formatos. Para os clientes que visam produzir e disponibilizar conteúdo na internet e dispositivos móveis, ele suporta todos os codecs mais utilizados mundo afora. Se esse for o seu caso, você pode seguramente ir com a versão New Media do FlipFactory, a mais barata do produto. Essa versão suporta inclusive o novíssimo codec WebM, lançado em maio desse ano pelo Google para ser uma alternativa de código aberto e livre de royalties a ser incorporada como padrão no HTML5 (saiba mais sobre essa pendenga aqui e aqui). O importante sobre isso é que com o FlipFactory New Media, você está preparado para os iPhones, iPads, Adroids, Maemos, Symbians, Flash e HTML do presente e também para o HTML5 e dispositivos do futuro.

Já os clientes do mundo broadcast (emissoras de TV) possuem três versões para escolher: NewMedia Broadcast, ProSD e ProHD. A New Media Broadcast aceita como entrada (decodificar apenas, ou somente leitura) os formatos de vídeo servidores proprietários mais conhecidos no mundo broadcast (360 Systems, Abekas, Avid, Grass Valley, Harris, Quantel, SeaChange, Sony e outros).

Visão geral do FlipFactory Pro (clique para ampliar, ©Telestream)

Já as versões ProSD e ProHD podem decodificar e codificar (ler e gravar) os formatos dos vídeo servidores proprietários nas definições standard (ProSD) e high (ProHD). As versões Pro do FlipFactory também suportam as funções avançadas de balancemaneto de carga e o espelhamento de banco de dados para redundância e alta disponibilidade oferecida pelo FactoryArray. O nosso cliente que realiza o volume de operações citado acima utiliza três servidores FlipFactory ProHD e dois FactoryArray em sua infraestrutura. Esse projeto foi definido e implantado pela MktTV. Essas funções avançadas serão tema de um outro artigo que vou publicar depois aqui mesmo em nosso blog.

Independente da versão do FlipFactory que mais se adeque ao seu negócio, a velocidade de conversão é um outro benefício do produto. Dependendo dos formatos de entrada e saída dos ativos, o FlipFactory pode converter formatos até 8 vezes (!) mais rápido que o tempo real. Isso significa que se o conteúdo a ser convertido tem uma hora de duração, o tempo total de conversão será de meros sete minutos e meio. Rápido, não é?

No Brasil, o FlipFactory está em uso em empresas como a TV Cultura, Globosat, TV TEM (afiliada da Rede Globo do interior paulista) e em nossos clientes Amazon Sat e Rede Amazônica de Televisão, este último também uma afiliada da Rede Globo que cobre cinco estados da região Norte. No mundo, a Telestream fornece o FlipFactory para clientes como a BBC, Discovery Communications e ABC.

Transcoder Para as Massas

Apesar de estarmos certos de que a especialização e desempenho do FlipFactory sejam benefícios inquestionáveis para a maioria dos clientes do MktTV MediaSpace, reconhecemos que para muitos deles o custo da aquisição do FlipFactory pode tornar um projeto inviável.

Em função deste fato, estamos desenvolvendo uma solução baseada em um outro transcoder: o FFmpeg. De código aberto e gratuito, essa solução trará muitos dos benefícios daqueles disponíveis com o FlipFactory, mas terá um custo de implementação bem mais sedutor.

O FFmpeg também possui uma respeitável lista de formatos que atende uma parte das necessidades de clientes que não dependam de formatos proprietários. Por ser um projeto de código aberto, a lista de formatos suportados pode ser estendida com relativamente pouco esforço e algum conhecimento técnico (que claro, nós possuímos).

O que o FFmpeg não suporta – e jamais o fará – são os formatos proprietários dos vídeo servidores e alguns outros formatos fechados. Isso ocorre porque esses formatos são frutos de anos de trabalho e milhões de dólares investido em pesquisa e desenvolvimento, além de todo um mercado estabelecido. Sendo o FFmpeg um projeto de código aberto, tudo o que for implementado nele é automaticamente disponibilizado para o público em geral. Não espere ver um fabricante de soluções proprietárias como a Sony abrindo seus segredos para a comunidade dessa forma. Se o seu negócio não exige essas restrições, então o FFmpeg pode sim ser uma alternativa viável para você.

O FFmpeg também é um transcoder bem rápido. Em alguns casos, ele pode até mesmo ser mais rápido do que o FlipFactory. Entretanto, ele não suporta as mesmas funções avançadas disponíveis no FlipFactory, especificamente falando, o balanceamento de carga.

A solução da MktTV para fábricas de transcodificação baseadas em FFmpeg estará pronta em breve. No momento oportuno, informaremos aqui mesmo a sua dipsoniblidade.

Concluindo

Seja com o FlipFactory, seja com o FFmpeg, o MktTV MediaSpace suporta fluxos com altos volumes, escaláveis e que atendam a todas as suas necessidades de conversão de formatos. O nosso objetivo é absorver todo o trabalho técnico e repetitivo inerente a essas funções para torná-las transparentes e intuitivas. Só assim os homo sapiens criativos poderão se preocupar apenas com aquilo que é realmente importante: criar conteúdo. Por que transcodificação, essa é para os robôs.

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