Conceitos-chave no universo dos acervos – parte II

O Básico Sobre Formatos

Quando um ingest é feito, presumimos o seguinte: o ativo é guardado em seu formato de produção. Isso pode significar diversas coisas, mas todas elas referem-se ao seu negócio. É o seu negócio que determina qual é o melhor formato do acervo. Mas como isso funciona? Vejamos. Se o seu negócio é:

  • Uma emissora de televisão: você tem vídeos servidores que entendem formatos broadcast. Logo, o seu acervo deve estar em um desses formatos para que a os ativos transferidos do acervo para dentro do vídeo servidor possam estar imediatamente disponíveis para irem ao ar.
  • Uma produtora de vídeos: você tem ilhas de edição que entendem formatos de produção. Logo, o seu acervo deve estar em um desses formatos para que os ativos transferidos do acervo para dentro da ilha de edição possam estar imediatamente disponíveis para o editor.
  • Uma portal de vídeos na internet: o seu caso é mesmo da produtora de vídeos, pois você precisa do seu acervo na melhor qualidade possível para que ele seja editado e distribuído pra um ou vários sites diferentes, cada um com o seu formato específico.
  • Um hospital, um laboratório ou uma clínica de diagnóstico por imagem: você tem equipamentos de CT ou MRI que entendem formatos específicos (DICOM e outros). Logo, o seu acervo deve estar em um desses formatos para que a os ativos transferidos do acervo para dentro dos equipamentos e softwares de diagnóstico e possam estar imediatamente disponíveis para os médicos.

O problema desses formatos de acervo é que eles são grandes. Muito grandes. Tomemos como exemplo um ativo em formato DV, um formato bastante popular de vídeo digital utilizado tanto por câmeras de uso doméstico quanto câmeras mais profissionais. Este formato, um tanto obsoleto hoje em dia, produz arquivos com taxa de datos (bitrate) de 25Mbps, ou megabits por segundo. Nessa taxa uma hora de vídeo corresponde a 11,25GB. Isso mesmo que você leu: onze vírgula vinte e cinco gigabytes! Trafegar arquivos desse tamanho na internet até é viável em links bem rápidos, mas mesmo que ele chegue em algum lugar, não terá nenhuma utilidade ou fornecerá qualquer benefício adicional para quem vai consumir o conteúdo – exceto é claro para um vídeo servidor, mas este normalmente está numa rede local de alta velocidade (1Gbps ou mais).

De qualquer modo, não podemos abrir mão da qualidade de produção no acervo. Somente nesta qualidade você poderá reutilizar seus ativos para as mais diferentes finalidades, aquelas que já existem hoje e aquelas que ainda estão por surgir. Mas no mundo real, seus ativos precisam ser disponbilizados em diversos lugares diferentes, cada um com as suas caracterísitcas específicas a serem atendidas (resolução, taxa de compressão, quadros por segundo etc).

Para resolver este problema, entram em cena outros dois conceitos básicos: o proxy e o transcoder.

Proxy e Transcoder

Em termos genéricos, um proxy é um substituto de alguma coisa original. Por exemplo: uma fotocópia de um documento é um proxy do documento original. No contexto de DAM, o proxy é um arquivo substituto gerado a partir do ativo original, mas em outro formato, com outra finalidade. Pegando como exemplo o arquivo de 1h de duração e tamanho de 11,25GB que citamos acima, podemos gerar um proxy com a mesma 1h de duração mas com um tamanho de 900MB que é apropriado para a finalidade “publicar na internet”. O arquivo original não é alterado. Ao invés disso, geramos um substituto para aquela finalidade específica. O serviço que cuida da geração de proxies é o transcoder.

O transcoder é um serviço altamente especializado em transformações de formatos de arquivos digitais. O nosso arquivo DV de 11,25GB só consegue ser transformado no arquivo apropriado para a internet através da ação direta do transcoder. É ele quem “conhece” os formatos armazenados no acervo e sabe como “escrever” novos arquivos compatíveis com as finalidades que você deseja dar ao conteúdo.

Tipos de Agentes

Um tipo de agente é uma entidade de software genérica que especifica as características técnicas de um determinado fluxo de ativos. Ele é genérico porque um único tipo de agente pode servir para dezenas de finalidades. O tipo de agente diz para o DAM coisas como o protocolo de comunicação a ser utilizado (HTTP, FTP e outros), quais parâmetros aquele protocolo espera receber para estabelecer um canal de comunicação, quais as prerrogativas para determinar se uma transferência de dados foi ou não concluída com sucesso, como saber o progresso da trasnferência de dados, quais metadados do ativo precisam ser recebidos ou enviados e coisas do tipo. Todas genéricas, sem estarem associadas a características específicas de um ponto de ingest ou de publish.

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